Vacina suspensa pelo SUS foi aplicada em 500 mil pessoas

Contexto da vacinação contra a dengue

A vacinação contra a dengue no Brasil tem se tornado um tema de grande relevância, especialmente considerando a alta incidência da doença em várias regiões do país. Em resposta a esse problema de saúde pública, o Instituto Butantan desenvolveu uma vacina chamada Butantan-DV, que foi aprovada pela Anvisa em novembro do ano anterior. Seu objetivo era conferir proteção à população, especialmente àquelas mais vulneráveis aos impactos da dengue.

Dados sobre a vacina do Butantan

Entre janeiro e maio deste ano, cerca de 501 mil brasileiros receberam o imunizante Butantan-DV, que é administrado em dose única. A maioria das doses foi direcionada a profissionais da saúde, com um total de aproximadamente 417,4 mil aplicações, representando 83% do total. O restante, ou seja, 83,6 mil doses, foi distribuído em programas de vacinação em locais como Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).

Reações adversas reportadas

Após a vacinação, surgiram preocupações com reações adversas. Dados do governo federal indicam que, após receberem a vacina, 3.703 vacinados apresentaram sintomas compatíveis com dengue, incluindo febre alta, náuseas, cansaço e manchas na pele. Essa quantidade equivale a 0,7% do total de vacinados. Além disso, foram contabilizados 42 casos graves com sintomas como dor abdominal e vômitos persistentes, resultando em algumas internações em unidades de terapia intensiva.

vacina suspensa pelo SUS

Casos graves após a vacinação

Dentre os casos graves, dois pacientes não sobreviveram. Os relatos incluem uma mulher de 39 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave seis dias após a vacinação e que, apesar de ser internada em UTI, recebeu alta após tratamento. Por outro lado, uma paciente de 48 anos evoluiu para meningoencefalite e faleceu 19 dias após a imunização. Também houve o caso de um homem de 58 anos que, após apresentar febre, teve um quadro de dengue grave que resultou em sua morte.



Decisão do Ministério da Saúde

No âmbito das preocupações com a segurança do imunizante, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina Butantan-DV em 8 de junho de 2026. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que as reações adversas foram inesperadas e não foram observadas durante os testes clínicos anteriores à aprovação.

Investigação das mortes

O ministério está investigando os casos fatais e, até o momento, não foi estabelecida uma relação direta entre as mortes e a vacinação. O ministro reiterou a importância de continuar as investigações para garantir a segurança da população.

Orientações para vacinados

Para aqueles que receberam a vacina nos últimos 21 dias, o Ministério da Saúde orienta que observem o surgimento de sintomas compatíveis com dengue e procurem orientação médica caso esses sintomas se agravem.

Mapeamento das doses aplicadas

O governo está realizando um mapeamento detalhado das doses já administradas, priorizando a segurança dos vacinados e o monitoramento de possíveis reações adversas. Essa ação é fundamental para que se possa tomar as decisões adequadas sobre a continuidade ou não da vacinação em massa.

Responsabilidade do fabricante

O Instituto Butantan, responsável pela produção da vacina, já se manifestou e refutou qualquer relação entre os casos adversos e os lotes produzidos. A vacina Butantan-DV é distinta dos lotes contratados com a empresa chinesa WuXi Vaccines, que tem sua própria linha de produção.

O futuro da vacina contra dengue

A suspensão da vacina Butantan-DV representa um importante marco na luta contra a dengue e ressalta a necessidade de uma investigação cuidadosa das reações adversas. O futuro da vacina dependerá das investigações e dos resultados que orientarão a continuidade da vacinação. A população espera que soluções eficazes e seguras sejam encontradas para combater a dengue, uma doença que continua sendo um desafio de saúde pública em várias partes do Brasil.



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